quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Compre o livro “Simplesmente Palavras”




Preço: R$ 15,00 (para Juiz de Fora)
Preço: R$ 20,00 (para o resto do Brasil)

sem taxa de entrega.

Banco: Itaú
Agência: 6699
Conta: 03997-7/500
Em nome De JONAS AMARAL  

Enviar para o email jcapoeta@hotmail.com o comprovante do depósito.  
Mande também o seu endereço para que seja efetuada a entrega do livro.

Sílabas Poéticas

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Cobra-me as sílabas poéticas,
Mas eu não sou sonetista,
Prefiro as sílabas atléticas:
Eu sou poeta, sou artista...

E priorizo nos meus poemas a liberdade
Para registrar aquilo que vem do coração
Sem nenhuma porção de manipulação.
Sonetos meus ainda estão na puberdade...

Eu vim para bagunçar,
Desestruturar as estruturas,
Desestabilizar as escrituras...
Eu vim para amar’iscar.

Cobra-me as sílabas poéticas...
Entrego-lhe sílabas sintéticas.
 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

À Moda de Shakespeare

Autor: Jonas da Cruz Amaral 
Flor, eu apresento na forma desse soneto inglês
Todo o amor e o rio de admiração que tenho por você
E peço aos deuses que dos nossos sentimentos façam-se as leis:
Naveguemos protegidos pelas esquadras invioláveis dos reis.

Flor, eu tenho esculpido em mim o teu olhar sereno
Envolto como tatuagem por frutas e doces afrodisíacos,
Ritos de um amor concluído e pleno,
Mitos de um casal ameno.

Mais belos que os sonetos italianos
São aqueles que nasceram em berço londrino.
Entrego-te em tuas mãos de uva o meu calor humano
E homenageio-te por meio desse soneto shakespeariano...

Pela eternidade metafísica
E pelos ensinamentos da astrofísica.

sábado, 26 de novembro de 2011

Sem Mestre E Sem Discípulos

Autor: Jonas da Cruz Amaral

A                                                A
Ave                                            Ave
Voa                                           Empoleira
O                                               O
Peixe                                         Peixe
Nada                                         Morde a isca 
E                                               E 
Eu                                             Eu
Vôo                                           Na cama empoleirado
E povôo                                    Pelo amor sendo fisgado                  

O nada que é o meu pensamento
         Nesse momento                    
Sinto apenas o vento
As palavras do meu mestre
Caíram no esquecimento             Vou
                                                        Seguindo
                                                       Sem
                                                          Mestre
                                                             E
                                                          Sem
                                                            Discípulos.
O meu mestre morreu
Eu sou católico
      Ele era ateu
Mas acreditava em
               JESUS CRISTO
E em um DEUS.
                               
    Meus discípulos dispersaram                                                                          
    Sumiram para o Oriente

                                                                          Agora
                                                                                       Aqui
                                                                                   Vou eu
                                                                    Seguindo
                                                                Meu caminho
                                                                    Sozinho
                                                                      Sem mestre
                                                                            E
                                                                 Sem discípulos.
          

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Supremacia do Silêncio

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Assim como passam os papéis
também passam as explicações...
e aí...
aí vem o silêncio.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Se Tu Não me Amas

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Tu sabes minha querida
Que o amor que eu sinto
Por ti clareia a escuridão
Dessa sua irremediável decepção.
Sabes também do seu apego por mim
Mesmo diante da tenebrosa desilusão.

       Se tu não me amas
       E sentes por mim apenas
       Uma ligeira ternura,
       Ao menos, deixe-me amá-la
       No silêncio dos meus aposentos. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Primavera

Autor: Jonas da Cruz Amaral


Apareceste em meu caminho
voando feito passarinho
e construíste no meu coração
                                    o teu ninho.

E quando prosperou a primavera
                            partiste, sincera
                                   e triste.

sábado, 19 de novembro de 2011

Lançamento:“Simplesmente Palavras”


Realizado no dia 19/11/2011
LOCAL: Anfiteatro do SPM do
Bairro Manoel Honório e do 330 Cia Militar de MG
RUA: Américo Luz, 443 – Juiz de Fora



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Relógio

Autor: Jonas da Cruz Amaral

“O jogo começa agora Erasmo”, disse o meu parceiro. “É difícil de acreditar que esse cara tenha conseguido fugir daqui. É impossível! Eles são vigiados vinte e quatro horas por dia. Olhe lá fora. O que você vê?”

Para o meu parceiro todo caso policial é um jogo mental. Como uma partida de xadrez, por exemplo. Vence o melhor. O mais esperto. Paulo orgulhava-se de ser um excelente jogador de xadrez, e eu não. Gabava-se por conta disso.

Mas eu prefiro anotar em meu diário os progressos das nossas investigações. 

“Vejo um monte de guardas com rifles nas mãos. Estão fazendo a ronda do presídio. Porra, Paulo. Que pergunta mais besta. Quem você queria que trabalhasse em uma penitenciária de segurança máxima? Prostitutas para aliviar a tensão desses filhos da mãe? Prostitutas para amenizar o ódio deles perante a sociedade? Claro que eu vejo guardas, que rodam de um lado para o outro, empunhando rifles. O que mais eu poderia ver? Também acho impossível o nosso homem ter fugido daqui sem uma ajudinha. São mais de quatro metros de muro com sistema elétrico de 15000 volts. Suficiente para fritar o engraçadinho que tentar escapar.”

“Concordo plenamente. O nosso homem recebeu ajuda. Os guardas podem ter facilitado a fuga dele. É como você mesmo disse quando chegamos aqui: ‘Os guardas podem ter colocado o Bruce pra fora’. Segundo o diretor do presídio, não houve nada de anormal ontem à noite, quando o nosso homem fugiu. Tudo estava tranquilo. Às quatro horas da tarde os detentos dirigiram-se para o pátio. Jogaram futebol e se exercitaram. Depois, às cinco horas da tarde, todos voltaram para as suas celas. Inclusive Bruce, o nosso homem.”

“Vamos dar uma olhada na cela onde o Bruce estava preso”, eu não via a hora de sair daquele local. Aquela penitenciária estava embrulhando o meu estômago.

Essa sensação de estar preso não me agrada muito.

Subimos uma longa escada em caracol. Ao chegar ao andar superior, aproximamos os nossos distintivos da porta computadorizada, que se localizava ao final do corredor.  Ela reconheceu e a luzinha ficou verde. Paulo empurrou a porta com um pequeno grau de violência. Eu passei a mão direita pelos cabelos e entrei em seguida.   

“Não se preocupe Erasmo. Nós vamos embora daqui a pouco. Agora vamos nos concentrar no caso”, Paulo ainda mascava o seu chiclete. Segundo ele, era para suavizar a rotina. “O que nós temos?”

Abri o meu caderninho de anotações.

“Temos o depoimento do diretor da penitenciária e dos seis guardas responsáveis pela segurança do andar superior. Olha o que eu achei! Isso é de suma importância para o caso. Geralmente as pistas demoram a aparecer. Mas essa aqui estava na cara.”

Eu e o meu parceiro tínhamos acabado de entrar na cela de Bruce. Vazia. Nenhuma alma viva. Segundo o diretor da penitenciária, Bruce era o detento mais violento do presídio. Desde que chegara a PSM, Prisão de Segurança Máxima, havia matado sete companheiros de cela, e dois guardas em uma tentativa coletiva de rebelião. Nove mortes assinadas por ele em dois anos e meio de detenção. 

“Mas de quem seria esse relógio?”, perguntou o meu parceiro.

“É o que vamos ter que descobrir. Esse relógio está ligado ao caso. Quanto a isso não existe dúvida. Mas ele pertence a alguém da alta sociedade. Alguém que tem grana. Talvez algum político. Não é qualquer um que possui um legítimo Rolex, meu amigo.”

“Parece que esse relógio foi colocado aí”, observou Paulo, olhando para o Rolex ainda no chão, dentro da cela de Bruce.  “Repare que ele está intacto. Nem um arranhão na pulseira nem no vidro.”

“E a pulseira não está danificada. O relógio permanece unido a ela. Obviamente não poderia ter se soltado do pulso de alguém.”

“Isso é óbvio, parceiro”, Paulo disse em seu característico tom de brincadeira. Claro que eu também estava brincando quando disse que o relógio não poderia ter se soltado do pulso de alguém. Qualquer imbecil perceberia isso ao ver que as duas extremidades da pulseira estavam ligadas ao relógio. “Me diga uma coisa Erasmo. Será que não é melhor a gente pegar esse relógio e mandar para a Criminalística? A Susan vai saber exatamente o que fazer com ele.”

“Vamos observá-lo por mais alguns instantes”, retirei a câmera fotográfica de dentro do bolso interno do paletó e tirei umas fotos do relógio. Em diversos ângulos. “Você está com pressa? Sherlock Holmes disse certa vez que as primeiras horas de uma investigação são as mais proveitosas. Você saberia disso se tivesse lido o livro que eu te dei ao invés de se abanar com ele.”

“Esse negócio de leitura nunca foi o meu forte. O único livro que eu me recordo de ter lido é um manual de auto-escola. Prefiro malhar. O meu corpo impõe respeito. Os meus músculos estabelecem autoridade. Olha para mim e me diga: eu não pareço com o Sylvester Stallone?”

“Sem sombra de dúvidas. Você e o Stallone parecem ser irmãos.”

Guardei cuidadosamente o relógio dentro de um saco plástico. Retirei as luvas. Em seguida eu e o meu parceiro fomos surpreendidos por vários tiros.

Dei dois tiros com a minha Colt. Acertei um deles bem na testa.

“Na mosca, Erasmo!”, Paulo vibrou como se o Flamengo tivesse feito um gol. A frase seguinte veio com desespero. “Temos que sair daqui!”

Sair dali. Era o que eu mais estava querendo naquele momento.

Mas estávamos cercados. Cerca de quinze guardas, todos prontos para arrancar as nossas cabeças. Eles estavam crescendo como o gol cresce para o goleiro quando há um pênalti para ser convertido. Por que esses filhos da mãe estavam atirando na gente? Não preciso nem explicar. Vocês, caros leitores, e caras leitoras, já devem estar sabendo o motivo. Eles efetuavam uma queima de arquivo.

Ok. Mas não seria tão fácil assim.

“Vocês não têm a mínima chance” gritou um deles. “Rendam-se ou morram. É o fim de vocês. Aqui a Lei somos nós.”  

“Dane-se!”, eu gritei. Eu e o meu parceiro continuávamos correndo e trocando tiros com os malditos guardas.

Recarreguei pela terceira vez a minha Colt. A minha testa suava. Dei três tiros. O que aconteceu depois foi um milagre. Uma intervenção divina. Realmente não tínhamos escapatória. Toda a penitenciária estava cercada. Aguentaríamos no máximo mais uns dois ou três minutos. Não mais do que isso. O Paulo já estava sem munição e eu já estava na metade do meu último cartucho. Foi quando uma rebelião aconteceu. Eu e o meu parceiro aproveitamos essa confusão e caímos fora daquele inferno.

Sabe de quem é o relógio que foi encontrado na cela do Bruce?

Ainda não sabemos.

A investigação continua...

Se a máfia deixar eu e o meu parceiro em paz, continuo os relatos.

Ao contrário: se ela insistir em nos matar. Dêem essas anotações por encerradas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Como o Céu a te Ninar

Autor: Jonas da Cruz Amaral

azul como o mar
azul como o céu a bocejar

revirando no caixão
aos pés da escuridão
no fanal da madrugada
na manhã abafada,
o nosso amor ressuscitou

azul como o mar
azul como o céu a te ninar...




Caem os Sonetos

Autor: Jonas da Cruz Amaral

 
Atiro literalmente no escuro
e por rimas acidentalmente procuro,
mas essas diabinhas no silêncio se esconderam
e aos poucos padeceram.

Os versos agora são livres, são brancos
e aquela estrutura bonitinha se arremessa dos barrancos
desenhados maquiavelicamente pela minha imaginação
para levá-las (as rimas) ao chão.

Nessa noite faço questão de derrubar o muro
da antiga ciência dos sonetistas mancos;
então mato todos esses versos calculados em solavancos.

Faço uma cirurgia pra remover os cancros
e louvado seja Deus enxergo um futuro;
finalmente posso respirar moléculas de ar puro.     

Sopro Marítimo

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Quase sempre ao desfazer de algo nós matamos (como Vejasrabasa) as coisas velhas; aquilo que não possui mais valor. Doamos para instituições de caridade, por exemplo, uma camisa rasgada e sovada, que já saiu da moda a três carnavais. Jamais uma camisa de marca (lançamento), o último figurino do verão.

Não é uma ironia? Gostamos de ganhar presentes bons e caros, mas na hora de presentearmos compramos – e às vezes nem isso! – qualquer porcaria em uma loja de um e noventa e nove. Tudo para não afetarmos o valorizado (e deus) dinheiro em nosso bolso.

O segredo da imortalidade da alma (em seu sentido oposto a razão; a emoção) está na bondade. Sempre que fazemos o bem a uma pessoa, sem pensar em retribuição, como doar sangue, por exemplo, continuamos a viver, mesmo depois de mortos, na lembrança dessa pessoa. E quando ela morre, ainda assim continuamos vivos em espírito, transcendendo os limites do tempo e do espaço.

Conhecer os mistérios? Não. Não quero. Se eu os conhecer eles não serão mais mistérios. E assim, sem os enigmas da existência, a vida perderia o seu sentido.

Conhecimento só se faz quando percebemos que os prazeres carnais não alimentam o nosso íntimo.

Quando, mesmo satisfeitos sexualmente, nos sentimos vazios de amor...

Quem ama a alma (a razão, como diria Sócrates ou a emoção, como diria Jonas, esse que vos escreve) jamais perece, vive pela eternidade como um sopro marítimo e profundo.  


União Homo-afetiva

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Não sou adepto da causa. No entanto, vejo nessa discussão entre a Igreja (Católica e Evangélica) com o STJ (Superior Tribunal de Justiça) uma enorme perda de tempo e um desrespeito execrável a assuntos proeminentemente mais importantes, como, por exemplo, a melhoria do sistema educacional brasileiro, o aperfeiçoamento do sistema de saúde, entre tantos outros.

O pastor Silas Malafaia fez um discurso muito bonito, que vi hoje à noite no youtube, dizendo que duas empresárias rio-grandenses, depois de terem o reconhecimento da união homo-afetiva em casamento recusado em um cartório recorreram a Justiça do Rio Grande do Sul, que também, tal qual o cartório, negou reconhecer a união homo-afetiva como casamento, e que por isso, como uma última esperança apelaram para o STJ, que colocou o presente assunto em pauta. A Constituição está acima de qualquer tribunal, disse o pastor Malafaia. E ele disse que está acima de tudo. Me espantei com tal afirmação feita por um evangélico, por um pastor, pois se a Constituição está acima de tudo, por uma questão lógica, o pastor Malafaia está colocando a Constituição acima da Bíblia, o livro sagrado dos cristãos. Mas isso não vem ao caso. É só uma observaçãozinha.

Levando em consideração que no artigo 226, parágrafo terceiro, da Constituição Brasileira, o Estado reconhece a união estável apenas entre homem e mulher, para assim formar a entidade família, o STJ de fato, como afirmou o pastor Malafaia, rasgou a Constituição ao aprovar a união homo-afetiva.

Se for para ser desse jeito então que vivamos sem uma constituição.  

Não estou querendo fazer aqui um discurso religioso, essa não é a minha intenção. Mas para aqueles que têm a Bíblia Sagrada como verdade, como o livro dos livros, tal união entre pessoas do mesmo sexo é abominavelmente condenada. É o que está escrito no livro bíblico Levítico, um rascunho de código civil e de leis morais. Estou me referindo ao capítulo 18 do livro citado, mas precisamente versículo 22, em que a palavra de Deus diz: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação.”. E um pouquinho mais adiante, no versículo 24, do mesmo capítulo, nos alerta o Senhor: “Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque é assim que se contaminaram as nações que vou expulsar diante de vós.”

Me admira essas pessoas, que enchem a boca para falarem que são cristãos, mas na verdade não seguem os ensinamentos do mestre. Está certo que Jesus aceitou as escrituras do Antigo Testamento, e por isso me parece, numa primeira impressão que o mestre caiu em contradição ao afirmar no seu famoso Sermão da Montanha, um dos seus mais belos ensinamentos, relatado por Mateus, no capítulo 7, versículo 1: “Não julgueis, e não sereis julgados”.

E aqui vai uma pergunta filosófica: o que é o casamento, senão um conceito atribuído para a procriação da espécie?

Procriação da espécie. Coisa que os homossexuais nunca poderão fazer. Independentemente ou não da aprovação em lei do casamento gay.   
                             
   

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Bermuda Floral

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Um casal de namorados está comemorando dois anos de namoro. O namorado pega o celular, liga para a namorada a cobrar, e marca um encontro em um desses restaurantes elegantes. Coisa de granfino. De quem realmente tem bala na agulha.

Veste uma bermuda floral, uma camisa “P”, emprasta o cabelo de gel, coloca a carteira no bolso, e sai apressado, sem tomar banho, para se encontrar com a sua amada.

Ela, toda produzida. Elegante. Sensual. Batom vermelho nos lábios. Um lindo vestido preto, com um discreto decote. Banho tomado.  Perfumada. Seu cheiro era uma mistura de flores, agradável.

O namorado chega com vinte minutos de atraso e lhe dá um fervoroso abraço, seguido de um beijo murcho, sem nenhuma pegada.

“Credo Tatá, você está fedendo a alho”, diz ela fazendo cara de nojo. “Que ridículo! Você não toma jeito mesmo. Olha como você está vestido! Me convida para vir jantar nesse restaurante chique e vem desse jeito: bermuda floral e camisa cá no umbigo. Tenha santa paciência.”

“Calma meu amor”, diz ele beijando-a na boca.

“Sai pra lá”, esbraveja, dando um empurrão no namorado e limpando a boca com a mão. “Que bafo de cebola!”

“Calma Jheny. Eu posso voltar em casa e tomar banho.”

“Então vai logo. E vê se vem com uma camisa melhor.”

“Pode me esperar gata, eu já estou voltando.”

Quinze minutos depois.                                    

Agora sim estava pronto. Alinhado. Nos trinques. Um verdadeiro lorde inglês. Camisa social, gravata, sapatos muito bem engraxados, e... peraí! Bermuda floral! Onde já se viu uma coisa dessas! Onde está a calça? Onde já se viu um sujeito em sã consciência vestir bermuda floral para ir a um restaurante chique com a namorada?!

“Olha Jheny, eu não estou lindo! Pode dizer.”

Ele não era um surfista. Minas Gerais não tem nem mar.

“Pelo amor de Deus Tatá! Eu não aguento mais! Vai trabalhar de bermuda floral, vai à igreja de bermuda floral, no cinema... Tudo usando essa maldita bermuda. Você não tem calça, não?”

“Eu não tenho só essa bermuda. Você sabe muito bem disso. Tenho um monte. Variadas cores e estilos”, ele falou meio abobalhado, que para Jheny não era nenhuma novidade. “Jheny, meu amor, querida do meu coração; Iemanjá do meu mar. Vamos entrar logo nesse restaurante.”

A sereia de Tatá é firme:

“Eu não entro nesse restaurante com você vestido desse jeito nem morta.”

“O quê que há de errado comigo?”, o surfista sem prancha pergunta passando os olhos pela sua roupa. “Você me mandou trocar de camisa e eu troquei. Coloquei até gravata.”

“E essa maldita bermuda?! Você não trocou!”, fala nervosa, controlando-se para não voar em cima do namorado e arrancar aquele colar de pai de santo que ele exibe no pescoço.

“Você não falou da bermuda. Só mandou que eu trocasse de camisa.”

“Meu bem, eu não sei se você sabe, mas não se usa bermuda (ainda mais floral) com camisa social.”

“Vamos parar de discutir, minha sereia. Se você não quer entrar no restaurante, então vamos comer um cachorro-quente na barraquinha da praça.”

“É. Fazer o quê! É o único programa que está a sua altura.”

Andaram por algum a tempo até chegarem à praça.

Crianças andavam de bicicleta, patinete, velotrol, patins.

O casal se aproximou da barraquinha de cachorro-quente. Mesinhas de plástico estavam ao redor da vã do sujeito.

Tatá diz super descontraído:

“Aí chefia, manda um hot dog completo com duas salsichas, no capricho. E uma latinha de Coca. Mais dois canudos, por favor, meu chapa.”

“O meu pode ser sem catchup”, diz Jheny, abraçada com o namorado.

“O meu é completo. Pode chuchar bastante maionese. É gotosão!”   

Dois minutos mais tarde.

“Dois cachorros-quentes  no capricho!”, o cara da barraquinha reverencia os seus dois fregueses. “Cinco e setenta.”

Tatá olha para Jheny com aquela velha cara de cara malandro, passa a mão pelo bolso e diz:

“Amor eu esqueci a minha carteira.”