segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Indentidade Nacional

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Nenhum povo assina e vive cem por cento uma cultura. Então não podemos dizer que o Brasil – como qualquer outro país – tem uma identidade nacional única. O hábito de comer com talheres: surgiu na Itália. Foi graças aos indianos que usamos pijamas para dormir. A identidade vai sendo moldada de acordo com os parâmetros do país.  

Violência gera violência...

O RG do povo brasileiro: brancos, índios e negros.

O Brasil assemelha-se a um enorme liquidificador. Ao longo dos anos foram injetadas no nosso amado país diversas culturas. Indígena, portuguesa, francesa, italiana, africana, oriental. Mas o Brasil teve a graciosidade e a inteligência de saber aprimorá-las, de colocá-las bem ao seu jeitinho brasileiro.

São Paulo é a cidade dos negócios. Dos executivos bem sucedidos. O paulista é um cara extremamente fechado, na sua. O carioca adora pegar uma praia antes de ir trabalhar. Os cortinas d’água são mais soltos, descontraídos, levam a vida mais no balanço do barco. Os baianos... Deu até preguiça de escrever, bichinho.

Não poderia deixar de citar a minha querida Minas Gerais, terra do poeta Carlos Drummond de Andrade e do nosso saudoso ex-presidente da República JK. O mineiro é extremamente desconfiado e flerta com o estilo paulista. O mineiro recebe os amigos na cozinha, onde é lugar de prosear, contar causos e comer queixo e beber café com leite – com o leite tirado direto da teta da vaca.

Eita trem bão!                

Um romance policial escrito por um escritor brasileiro foge totalmente do roteiro que é adotado por um norte-americano ou um inglês. Lógico. Um detetive brasileiro não vai andar pelas congestionadas ruas de São Paulo, com um calor de quase 40o vestindo um terno, e com um ar autoritário e imperial. O policial brasileiro é mais relaxado, anda de calça jeans, camisa de malha e tênis. E muitas das vezes, tem aquela barriga de chope.  Substitui o elegante charuto por uma goma de mascar. A realidade é outra, e o Brasil não mascara – como muitos outros países fazem – o que é fato.   

Nós pensamos em sexo e não temos nenhuma vergonha em dizer que estamos pensando em sexo. É só dar uma olhada no nosso cinema e na nossa literatura. Nós falamos errado e não temos vergonha de falar errado. Achamos até divertido. É só procurar na televisão brasileira os personagens que fazem mais sucesso. Rapidamente vamos chegar a conclusão de que são os malandros, os que assassinam a Gramática. Um exemplo disso é o mecânico de “A Grande Família” Paulão da Regulagem, interpretado pelo roqueiro (vocalista da banda Blitz) e ator Evandro Mesquita. Não gostamos de discutir política – uma característica dos australianos – preferimos mil vezes falar sobre futebol. Temos coisas mais importantes a fazer, como pensar em uma piada inteligente que fale mal de tal político, de tal técnico, da condição física de tal jogador, e lançá-las em programas de humor.

Observação: essa parte não entraria de jeito nenhum numa prova do ENEM, do PISM ou de qualquer outra coisa do gênero.

Esse texto está muito certinho, muito suavizado. E o povo brasileiro não está acostumado a suavizar as coisas. Nós metemos o verbo! A grande maioria dos nossos políticos são ladrões, a Educação está longe de chegar ao patamar desejado (e o mais absurdo é que ninguém faz nada) e estamos sendo governados pelo tráfico.

Aqui vai um pedido de help: não aguentamos mais tamanho descaso.            

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