quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Para a Minha Amiga Demaísa

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Quando amamos uma pessoa lógica demais, nós, os poetas (ou POETISAS), tentamos achar uma “LÓGICA DOS POEMAS”.

Segue abaixo o poema“LÓGICA DOS POEMAS”, escrito pela minha amiga Demaísa S.A, que ela dedicou para o professor Ronaldo (UFJF- Dep. Filosofia, professor de Lógica) 


O que as palavras significam
Se o silêncio é o signo da negação?
E vi a origem se revelar no cálculo da linguagem
Do objeto sem expressão!

Em teus olhos a ideia repousada
Que se levanta no gesto musical
Ultrapassa a imagem que se compara
Ao entendimento nominal

Como proferir uma vivente sentença
Alguém a designa e nem sentia?
Tantos discursos numa pálida lua crescente
Assumem um conceito na minha Filosofia!

Desenho um cubo mágico num papel, sem ordená-lo,
E o defino sem nome, sem corpo e sem alma, só imaginário.
Como descrever a sua magia?
Oh! Substituo em qualquer outro sentido ordinário!

E se esqueço do significado da sua pintura?
Facilmente componho seu reconhecimento?
Mas se minha mente restaurar um único fenômeno
Com algo hipotético e sem processamento?

Sei: o “azul” do mar é somente o tipo de uso
Da palavra que se chama cor!
Pois, assim como a rosa sem este nome, Shakespeare dizia:
Teria o mesmo perfume do amor!

Ontem me lembro da noite escura, sem estrelas
Preciso mesmo concordar com a minha memória?
Se imaginasse que corpos celestes para mim sorriram,
Estaria na caverna cerebral como uma criança provisória?

Escolha a figura e copie à sua maneira,
Na inconcordância da sua intenção.
Devo entender o que desejou me mostrar
Clareando a linguagem já existente da preposição?

Manifesta-se a realidade insatisfeita
Com o confronto entre o “X” e o “Y” inexpressados!
O que penso pressupõe esse símbolo
No caminho em que se encontram os passados.

Dissemos: “adeus”, mas ficamos dentro do mesmo lugar
Como quando ouço: “não quero partir”
Então, na série sem fim dos números apresento:
- o olhar do meu Lógos: o sentir!

Entre falso e verdadeiro elaboro as formas
Procurando o bastante no rosto particular.
Se o mal e o bem coincidem-se na imagem
Rapidamente, pinto no quadro como calcular.

E agora? Nas aparências adicionadas ao dizer
Que grande fatalidade!
Ah! Se os homens vestissem a roupa nua
Do sentido resplandecedor da verdade!

Critico a generalidade das visões
Fundamentando-me na matemática dos horários
Provo com coerência e relevância
Com a aritmética dos contrários!

Veja: tipos diferentes induzem-se
Num conjunto do real.
Entretanto, quem irá confessar
Que a alma é imortal?

Complexo os elementos da simplicidade, não?!
A natureza essencial do tempo nas cenas...
Onde a interferência da lógica não tem sentido?
Eu apenas afirmo: A Lógica mais bela é a dos poemas!


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