quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sopro Marítimo

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Quase sempre ao desfazer de algo nós matamos (como Vejasrabasa) as coisas velhas; aquilo que não possui mais valor. Doamos para instituições de caridade, por exemplo, uma camisa rasgada e sovada, que já saiu da moda a três carnavais. Jamais uma camisa de marca (lançamento), o último figurino do verão.

Não é uma ironia? Gostamos de ganhar presentes bons e caros, mas na hora de presentearmos compramos – e às vezes nem isso! – qualquer porcaria em uma loja de um e noventa e nove. Tudo para não afetarmos o valorizado (e deus) dinheiro em nosso bolso.

O segredo da imortalidade da alma (em seu sentido oposto a razão; a emoção) está na bondade. Sempre que fazemos o bem a uma pessoa, sem pensar em retribuição, como doar sangue, por exemplo, continuamos a viver, mesmo depois de mortos, na lembrança dessa pessoa. E quando ela morre, ainda assim continuamos vivos em espírito, transcendendo os limites do tempo e do espaço.

Conhecer os mistérios? Não. Não quero. Se eu os conhecer eles não serão mais mistérios. E assim, sem os enigmas da existência, a vida perderia o seu sentido.

Conhecimento só se faz quando percebemos que os prazeres carnais não alimentam o nosso íntimo.

Quando, mesmo satisfeitos sexualmente, nos sentimos vazios de amor...

Quem ama a alma (a razão, como diria Sócrates ou a emoção, como diria Jonas, esse que vos escreve) jamais perece, vive pela eternidade como um sopro marítimo e profundo.  


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