quarta-feira, 16 de novembro de 2011

União Homo-afetiva

Autor: Jonas da Cruz Amaral

Não sou adepto da causa. No entanto, vejo nessa discussão entre a Igreja (Católica e Evangélica) com o STJ (Superior Tribunal de Justiça) uma enorme perda de tempo e um desrespeito execrável a assuntos proeminentemente mais importantes, como, por exemplo, a melhoria do sistema educacional brasileiro, o aperfeiçoamento do sistema de saúde, entre tantos outros.

O pastor Silas Malafaia fez um discurso muito bonito, que vi hoje à noite no youtube, dizendo que duas empresárias rio-grandenses, depois de terem o reconhecimento da união homo-afetiva em casamento recusado em um cartório recorreram a Justiça do Rio Grande do Sul, que também, tal qual o cartório, negou reconhecer a união homo-afetiva como casamento, e que por isso, como uma última esperança apelaram para o STJ, que colocou o presente assunto em pauta. A Constituição está acima de qualquer tribunal, disse o pastor Malafaia. E ele disse que está acima de tudo. Me espantei com tal afirmação feita por um evangélico, por um pastor, pois se a Constituição está acima de tudo, por uma questão lógica, o pastor Malafaia está colocando a Constituição acima da Bíblia, o livro sagrado dos cristãos. Mas isso não vem ao caso. É só uma observaçãozinha.

Levando em consideração que no artigo 226, parágrafo terceiro, da Constituição Brasileira, o Estado reconhece a união estável apenas entre homem e mulher, para assim formar a entidade família, o STJ de fato, como afirmou o pastor Malafaia, rasgou a Constituição ao aprovar a união homo-afetiva.

Se for para ser desse jeito então que vivamos sem uma constituição.  

Não estou querendo fazer aqui um discurso religioso, essa não é a minha intenção. Mas para aqueles que têm a Bíblia Sagrada como verdade, como o livro dos livros, tal união entre pessoas do mesmo sexo é abominavelmente condenada. É o que está escrito no livro bíblico Levítico, um rascunho de código civil e de leis morais. Estou me referindo ao capítulo 18 do livro citado, mas precisamente versículo 22, em que a palavra de Deus diz: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação.”. E um pouquinho mais adiante, no versículo 24, do mesmo capítulo, nos alerta o Senhor: “Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque é assim que se contaminaram as nações que vou expulsar diante de vós.”

Me admira essas pessoas, que enchem a boca para falarem que são cristãos, mas na verdade não seguem os ensinamentos do mestre. Está certo que Jesus aceitou as escrituras do Antigo Testamento, e por isso me parece, numa primeira impressão que o mestre caiu em contradição ao afirmar no seu famoso Sermão da Montanha, um dos seus mais belos ensinamentos, relatado por Mateus, no capítulo 7, versículo 1: “Não julgueis, e não sereis julgados”.

E aqui vai uma pergunta filosófica: o que é o casamento, senão um conceito atribuído para a procriação da espécie?

Procriação da espécie. Coisa que os homossexuais nunca poderão fazer. Independentemente ou não da aprovação em lei do casamento gay.   
                             
   

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